segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Meireles

Muitas pessoas dizem que o natal é insosso. Abraços, expectativas sobre o novo ano, ceia, amigo-oculto e nada além disso. Pode até ser que pra alguns da Silva, Ferreira, da Costa, isso seja verdade. Mas quando se trata dos Meireles, a coisa muda de figura.
Apesar de ter passado esses 17 anos vendo e revendo os mesmos familiares, e não me acostumo. Acredito, honestamente, que a loucura é congênita e irremediável.
Esse ano, atentei à cada mínimo detalhe. E o quadro foi...inusitado. Pra começar, nosso natal dura três dias. SIM, três dias. Até que a última migalha de rabanada sobreviva as festas continuam e com elas as peculiaridades dos meus consanguíneos.
A primeira coisa que observei foi a voracidade do momento da ceia. As bordas dos pratos são limites apenas para os fracos, no caso dos Meireles, o céu é o limite (por enquanto). A fome é uma terrível inimiga a ser enfrentada, e eles não fogem à luta. Se necessário, 30 visitas à mesa, até que o ultimo centímetro do estômago esteja saciado.
Após a ceia, chega o momento dos presentes. Devo dizer que nós somos grandes, inegavelmente grandes, pros lados ou pra cima, mas somos. Entretanto, alguns tem amnésia e não raro calcinhas/cuecas tamanho PP surgem no saco do papai noel. As descrições no amigo-oculto são repletas de elogios. Não há mau-humor que resista.
Até que nos vemos no auge da festa: o Samba. Está no sangue. Quem não toca nenhum instrumento, canta. Quem não canta, dança e quem não dança gargalha. Chora de tanto rir. As trapalhadas, as brincadeiras infames. Nos últimos dois anos, acrescentou-se ao show, uma nova tradição que com certeza veio pra ficar: O futebol. Chuteiras que descansam 364 dias por ano, saem dos armários. Tios e primos se enfrentam. É muita sagacidade para um único campo. Em função desse excesso, temos situações dignas de ganhar o prêmio de Bola Murcha do Século
Na maior parte desses encontros eu fotografo, cada frame. Cada momento dessa familia singular. E por mais fora de contexto que eu esteja, eu sempre me sinto uma Meireles. Em cada sorriso, na cor da pele, na cor da alma. Eles são meu orgulho.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

http://www.youtube.com/watch?v=v-QQvpI5aZs

Best of you - Foo Fighters

I've got another confession to make
I'm your fool
Everyone's got their chains to break
Holdin' you

Were you born to resist or be abused?
Is someone getting the best, the best, the best, the best of you?
Is someone getting the best, the best, the best, the best of you?

Are you gone and onto someone new?
I need somewhere to hang my head
Without your noose
You gave me something that I didn't have
But had no use
I was too weak to give in
Too strong to lose
My heart is under arrest again
But I break loose
My head is giving me life or death
But I can't choose
I swear I'll never give in
I refuse

Is someone getting the best, the best, the best, the best of you?
Is someone getting the best, the best, the best, the best of you?
Has someone taken your faith?
It's real, the pain you feel
You trust, you must
Confess
Is someone getting the best, the best, the best, the best of you?

Has someone taken your faith?
It's real, the pain you feel
The life, the love
You die to heal
The hope that starts
The broken hearts
You trust, you must
Confess
Is someone getting the best, the best, the best, the best of you?

Is someone getting the best, the best, the best, the best of you?
Is someone getting the best, the best, the best, the best of you?

I've got another confession, my friend
I'm no fool
I'm getting tired of starting again
Somewhere new

Were you born to resist or be abused?
I swear I'll never give in
I refuse

Is someone getting the best, the best, the best, the best of you?
Is someone getting the best, the best, the best, the best of you?
Has someone taken your faith?
It's real, the pain you feel
You trust, you must
Confess
Is someone getting the best, the best, the best, the best of you?


domingo, 24 de outubro de 2010

Falta muito?

Eu estou aqui, ouvindo Oasis e Red Hot. Imersa nesse conflito sufocante. Tentando edescobrir se a causa de cada lágrima é , na realidade, a minha falta de compreensão de mim mesma.
Eu queria entender, o porquê de as coisas sempre terem um maldito ponto final. Eu queria entender, como um arco-íris vira de súbito um dia nublado. Eu queria, não enxergar as coisas da maneira enxergo, ou então simplesmente fechar os olhos e só abrir quando tudo já estivesse definido. Que essa intragável fase de transição já tivesse passado.

Eu preciso de atenção, eu preciso de chocolate, eu preciso de carinho. Eu acho que eu estou numa TPM infinita. Não tenho paciência pra ouvir, não tenho coerência pra debater, não forças pra fingir um sorriso.
Eu não sei, não sei nada. A única coisa que eu conheço atualmente é a aflição.
Eu preciso de alguma coisa muito intensa, muito forte, podia ser um beijo interminável, ou um chute bem na boca do estômago. Eu só não posso mais conviver com essa rotina de dúvidas, de medo, de falsidade, de tristeza.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Expectativas

Eu demorei pra notar, mas eu vi. Eu consegui enxergar que de todos os meios devaneios, esse era o irracional. E incoerente. E estúpido.

Dentre todas as coisas que eu tive o prazer – ou não – de experimentar, o que sempre em cada esquina, se mostrava mais surpreendente era esse tal de humano. Todos inacreditavelmente distintos . Imprevisíveis, únicos, independentes, e – depois de muito tempo eu percebi – incontroláveis.

O querer ter nas mãos, o querer prever o futuro, o querer viver no passado, o querer ler pensamentos alheios e moldá-los à minha maneira. Querer e não conseguir. Frustração, absoluta.

Eu estou aqui hoje, porque acredito que não a única portadora deste mal, e acredito que outras pessoas devam ter a doença do querer, que eu costumo chamar de expectativismo.( Sim, eu inventei.) Eu preciso de ajuda.

E se você, leitor, por um acaso, já apresentou algum desses sintomas. Aproveite-se da minha experiência e, por favor, pare agora.

Viva, por si mesmo. E não, não tente conter. Ter suas próprias emoções e não saber quais serão as próximas, não tem preço Dividi-las, então? Inigualável. Mas não espere. Não se iluda. SejaS acima de tudo, uma individualidade. Por apesar de precisarmos de uma sociedade, somos essencialmente sozinhos. Com um temperinho aqui, acrescentando uma amizade acolá, nos tornamos uma mistura apreciável. E a desordem tente a aumentar, diz a entropia.

E com o tempo, mais nos descobrimos, mais nos modificamos, mais diferentes nos tornamos. E isso tudo é um processo irreversível, chama-se evolução.

Obrigada por me ouvirem, ou me lerem nesse caso. Mais um dia lutando contra a expectativas.

domingo, 23 de maio de 2010

Abrir os olhos

Essa semana me assustei. O motivo? Principalmente a descoberta dos olhos, dos verdadeiros olhos. Não aqueles que enxergam as roupas, os rostos, as ruas; mas sim aqueles que enxergam a vida, em toda a sua plenitude e complexidade.

Percebi que eu estou amadurecendo, entendendo. E então veio a insegurança o medo da escolha de uma profissão, se terei prosperidade, se serei competente, se serei feliz. Percebi os meus erros, que eu cometo desde de sempre, mas com esse olhos cegos nunca enxerguei. Percebi que todos os dias faço promessas, e no fim do dia nenhuma delas foi cumprida. E o pior de tudo é se decepcionar, consigo mesmo.

A realidade. A velocidade com que o mundo gira, sem se importar se você acompanha ou não. A hipocrisia de algumas pessoas. A bondade sincera de algumas raras. A descoberta dolorosa do que é refletir. Mergulhei na histeria, nas lágrimas, na inconformação. Eu, na minha ingnorância, me desesperei. E depois de toda exaltação, veio o cansaço, a tristeza. Eu estava derrotada, derrotada pela irremediável apresentação à verdade.

Então é isso, vou ser uma eterna perdedora? Eu prefiro acreditar que existem outros horizontes e outras visões. E por enquanto eu prefiro enxergar o hoje, aproveitar o hoje até a última gotícula. E só. Assim daqui a 30 anos eu descubra que fiz alguma opção errada. Mas quem liga? Eu terei 30 anos de pequenas e deliciosas vitórias.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Vício

Hoje eu estou aqui para contar uma experiência incrível vivenciada este fim de semana. Às vésperas de completar o meu décimo sétimo outono de vida, recebi uma dos melhores presentes imagináveis: dois dias de liberdade, de suor, de felicidade plena, ou seja, dançar.
Eu me sinto como alguém sob o efeito de drogas e o pior é que estou irremediavelmente viciada.
Todo o processo de entorpecimento é iniciado no alongamento: um breve aviso ao corpo de que a festa vai começar. Posteriormente vem a etapa em que a razão não é deixada para trás, nesse momento começam os efeitos alucinógenos: a movimentação quase involuntária do corpo, os sons, as batidas, o timbre da voz do cantor, tudo leva ao movimento. Não um movimento qualquer, mas aquele que traduza a leveza ou a brutalidade da música, a doçura ou o rancor das vozes. É um frenesi.
Nós, dançarinos, e a música amalgamados de tal forma que não podemos existir individualmente. Nos juntamos e então faz-se a dança. Estamos tão unidos que muitas vezes um aparelho não é necessário para ouvirmos os sons, pois estes são reproduzidos automaticamente em nossas mentes, ininterruptamente.
A alegria e o ânimo são tão intensos que beiram a loucura. Por isso acredito que essa minha paixão é muito mais do que um simples hobby, ou um exercício, é a melhor e mais eficiente droga já inventada.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Luto

Só estou aqui que hoje o céu amanheceu cinza por um bom motivo. João Hélio que foi assassinado brutalmente por um "inocente" menor de idade na época, perdeu o que todos nós sabíamos que nunca foi conquistado: A Justiça. Ele foi liberado após apenas três anos. Incrível, à época houve protestos, homenagens, reclamações. Entretanto três anos depois ninguém mais lembra e o assassino é solto e ainda vai viver na Suíça, se vocês querem saber? Tem alguém além de mim vendo que o mundo está de cabeça pra baixo? Como diz o advogado da família: " Não podemos fazer nada. Isso agride a todos. A lei do Brasil é um incentivo à criminalidade." Mas nós podemos sim, o primeiro passo é se curar desse mal de Alzheimer que afeta toda a população brasileira. Esse é o MÍNIMO que devemos fazer.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Metamorfose

Hoje minha mãe comprou geléia de mocotó. E ela ainda é a mesma de aproximadamente 14 anos atrás. Doce, suave e única.

Eu tinha por volta de três anos e eu me lembro - porque uma foto foi tirada nesse momento - do dia que minha mãe chegou do mercado com uma dúzia de geléias de mocotó. Várias caixinhas coloridas, todos os sabores, irresistível. Eu me peguei pensando em como podia lembrar de cada detalhe? Fui pega de surpresa por essa felicidade súbita e outras recordações deliciosamente singelas: do pique-pega, das músicas de chiquititas, do medo de abelhas - vamos fingir que ainda é uma lembrança, ok? - das aulas de música, dos meus tombos memoráveis, de lamber a panela com a massa do bolo, das minhas amizades, da minha inocência. Engraçado, repentinamente ela se tornou tão distante..Quando me dei conta já era essa mesma Stella que eu reconheço atualmente, com todos os calos já conhecidos. O que me fez assim? As primeiras decepções, as respostas daquelas perguntas incômodas, as primeiras lágrimas, as primeiras brigas, enfim, amadurecer, mudar. Mudança, palavra difícil essa. Todo mundo sabe que ela vem, contudo quando ela chega de fato, quanta tristeza. E depois de algum tempo quantas coisas boas ela traz e então, finalmente, felicidade. Então, porque até hoje ela ainda é uma preocupação? É o medo do inesperado, do desconhecido. Quanto mais aniversários, maior o livre arbítrio, porém a chance de errar cresce na mesma proporção de ambos.

Espero que um dia eu me torne um linda borboleta, voando por aí. E já que a saída do casulo é inadiável eu espero que lá no fundo ainda sobre algum resquício daquela menininha que fica enlouquecida com geléia de mocotó.