segunda-feira, 4 de março de 2013

Sorte X Destino X Escolha

Planejamento. Quem nunca? Eu sou daquele tipo de pessoa neurótica, que planeja os milésimos, que imagina cada possível bifurcação do futuro, que fantasia cada possibilidade. E eu sou também o tipo de pessoa com orgulho arraigado, enraizado e por isso mesmo, não gosto de perder. Nem de desistir. Então quando alguma coisa foge dos meus planos, dificilmente aceito. E quando meus esforços não são recompensados, me indigno. "Como assim perder? Inaceitável." E então começa a corrida para provar - talvez pra mim mesma - que eu sou capaz. E algumas vezes mesmo com todos as minhas intervenções, meu troféu é a derrota. E como é difícil lidar com a mesma. 
Chega então, o momento da aceitação. Da resignação, do parto para tirar o rei da barriga. De se entender como falível, como o aprendiz. E a partir desse ponto, apenas boas coisas podem acontecer. E aí então, os olhos antes cegos pelo horizonte distante, começam a enxergar as possibilidades ao lado. O inesperado, o desenrolar das coisas é incrível. Hoje, eu parei para refletir. Fazer um pequeno somatório. E a partir de duas perdas que tive, uma aquisição inimaginável foi possível. Se tudo tivesse dado certo, tudo teria dado errado. 
Esse é um texto, feito para a agradecer. Ao meu destino, a minha sorte. E para torcer que minhas futuras escolhas - mesmo a simples escolha de me resignar - me levem para o melhor caminho. 



domingo, 25 de novembro de 2012

Rumo

Estabilidade. O que é? Bem, acredito que muitas pessoas diriam que estar em uma boa universidade, em um curso bem conceituado, ter uma família nos padrões da normalidade, morando em um bom apartamento, tendo condições financeiras suficientes para estar confortável, com amigos e um namorado incrível. E uma vida cheia de perspectivas. Uma pessoa assim, não deveria se sentir infeliz em momento algum. Eu posso dizer, entretanto, que essa pessoa está mais perdida do que em todos os momentos incertos em que já esteve até então. Meu ponto de vista é excelente. De repente (quase) tudo parece estranho. Fora do lugar. E mesmo que tudo pareça certo, as peças não se encaixam. E tudo parece rodar. E aí vem a insatisfação. E da insatisfação vem agonia. E da agonia...a  necessidade da mudança. Mas mudar a rota? É seguir pra onde? E se nesse caminho for muito ingrime ou pior ainda, se tiver um grande muro no fim do mesmo, impedindo a continuidade? Essa pessoa pertence a diversos lugares e ainda assim, não pertence a lugar algum. Uma vez essa pessoa ouviu dizer que felicidade não é o lugar e sim o caminho. Talvez toda essa inquietude não seja loucura, mas sim humanidade.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O acaso não(?) existe

Nós pensamos que controlamos as coisas que acontecem. Vou contar uma coisa que me fez parar pra pensar e eu, que sou cética em muitas aspectos, estou chegando a conclusão de que não sou tão dona dos fatores que vem desenhando meu caminho.

Quando se aproximou o período do vestibular eu tive muitas dúvidas quanto à carreira que eu seguiria. Minha maior preocupação é ser útil de alguma forma para a sociedade. Não é um clichê. Eu realmente penso que ser ativo é um passo importante, se quisermos ver mudanças algum dia. Reclamar atrás da tela do computador, ao contrário do que muitos parecem pensar, não é uma atitude efetiva (mas esse é assunto pra outro dia). 

Pensando nisso e nas disciplinas que - apesar de não serem as que possuo maior facilidade - me agradam mais, eu escolhi a Engenharia Ambiental. Profissão incrível, por todas as possibilidades que me traz enquanto futura agente na humanidade. Fiz as provas de vestibular, focando principalmente em duas Universidades Federais. Ambas com ótima qualidade de ensino, entretanto, meu espírito competitivo e perfeccionista ficou insatisfeito quando fui aprovada apenas na 2ª melhor opção no meu estado, e não na melhor. E por muito tempo fiquei, de certo modo ressentida com isso, e pensando nos porquês e vendo quanta gente que eu julgava que não merecia aquela uma, UMA VAGA que faltou pra mim. E por um semestre inteiro na nova universidade eu ainda pensava nisso. Quando finalmente me resignei, uma nova/velha amiga minha pulou na minha frente. A dança. Eu amo dançar. Sem explicações, é simplesmente amor. 

Por falta de tempo, dinheiro e outros interesses acabei parando a dança por 2 anos. E só quando eu voltei, vi tudo que eu tinha perdido. Talvez por esse mesmo motivo, desde que voltei  a ter aulas, me entreguei como nunca. Estando há quase um ano fazendo o ciclo básico da engenharia, me esqueci como era isso. Sentir muito e pensar pouco. Na primeira aula quase não pude conter minha felicidade. E desde então, tenho estado muito feliz. Durante o recesso na faculdade, pude me dedicar mais à dança. E aí as coisas começaram a se complicar. E tudo aquilo que se diz sobre "seguir seus sonhos", "fazer o que você ama", veio à tona. E cá estou, soterrada de dúvidas. E pensando em como as coisas se desenrolaram. E em como toda a minha indignação por não ser selecionada naquela universidade, foi insensatez da minha parte. E que, com certeza, se aquela uma vaga,por algum motivo, não tivesse sido preenchida, eu hoje estaria na melhor universidade do meu estado, mas muito distante de qualquer possibilidade de reaproximação com a dança. Será o acaso? 

Todavia, apesar de eu, nesse momento, estar acreditando no "destino" ainda acho que nós devemos sempre tomar partido e sermos ativos. E aí fica a dúvida, o que fazer do meu caminho? Por enquanto, gosto de pensar nestes dois focos como razão e emoção. Os dois juntos equilibram a minha balança, mas um dia ela há de pender pra um lado. Vamos torcer para que seja o certo.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Cansaço

Eu sou uma pessoa insistente. Isso é um fato. Só que em alguns momentos, ultimamente constantes, eu me sinto fraca. Eu procuro dar o meu melhor, sempre. Mas e quando " o seu melhor não é bom o suficiente"? O que se faz? Tenho entendido muito pouco de tudo. De pessoas, de cálculos, de política, de mim. Principalmente de mim. Não sei mais o que é certo, não sei mais como agir. Estou tão tensa ao desabafar aqui, que meus dedos estão trêmulos. Nervosos por ter essa chance de dizer aqui, tudo que eu não consigo explicar pra ninguém. Estou desapontada, com as pessoas. Com os interesses, com as mentiras, com os falsos sorrisos. Queria poder viajar, e fingir que o resto do mundo não existe, mas eu não posso. A cada dia mais e mais responsabilidades se amontoam sobre os meus ombros e eu a cada dia estou mais estratificada. Não sei que tipo de efeito toda essa pressão terá sobre mim. Se vou explodir como um vulcão, ou se finalmente vou me transformar num lindo diamante.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Chasing

Como sempre, eu momentos complicados eu venho aqui. Desabafar com o amigo mais compreensivo que poderia imaginar ter.
O problema dessa vez é que notei algo que me entristeceu muito. Numa tentativa desesperada comecei a procurar romances em filmes, músicas, vídeos do youtube. Procurando por alguma coisa de que sinto muito falta. Sinto falta de intensidade, da velha reciprocidade, da entrega, da conquista. Tudo que era tão presente e agora se tornou um passado tão distante. Ser uma pessoa da ciência exata com certeza não deve nos tornar números, exatos, precisos. Ainda sou humana e sinto falta dos meus sinais vitais.
" Should I give up, or should I just keep chasing pavements? Even if it leads no where..."

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Reciprocidade

Hoje está sendo um daqueles dias que não começam bem.
Não começou bem, primeiramente porque ontem tive minha primeira prova de cálculo, o que é auto-explicativo. Logo pela manhã comecei a estudar álgebra e, bem, minhas dúvidas estão concentradas mais ou menos ente a primeira e a última questão. E por último hoje, este fatídico hoje me confirmou algumas coisas que eu já sabia, mas que eu sempre tentava - estupidamente -esconder no fundo do meu subconsciente.

Eu me entrego, sempre, pra o que quer que eu tenha prometido dedicação. A faculdade, as pessoas, a minha ética. Se eu prometo, eu cumpro. Infelizmente a recíproca não é verdadeira. Não mesmo.
Estudar sem parar não compensa, ajudar e dar o melhor de mim não compensa, amar incondicionalmente não compensa, me anular não compensa.

Ver que a cada dia tudo que eu esperava de pior em cada setor da minha vida se aproxima é assustador. É pressão demais. E quarta eu ainda tenho prova de álgebra, que deve ter a pressão equivalente a umas 30 milhões de atmosferas, que pra quem não sabe, é muita coisa. Como lidar com tudo isso? No momento chorando, e desabafando com nesse blog que sinceramente tem sido meu melhor amigo nos últimos tempos.

Talvez eu precise de um pouco mais de amor-próprio, de um pouco mais de noção, ou quem sabe, de um psicólogo. Mas por enquanto, tudo que eu preciso é do meu edredom e do meu travesseiro. Mais nada.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Meireles

Muitas pessoas dizem que o natal é insosso. Abraços, expectativas sobre o novo ano, ceia, amigo-oculto e nada além disso. Pode até ser que pra alguns da Silva, Ferreira, da Costa, isso seja verdade. Mas quando se trata dos Meireles, a coisa muda de figura.
Apesar de ter passado esses 17 anos vendo e revendo os mesmos familiares, e não me acostumo. Acredito, honestamente, que a loucura é congênita e irremediável.
Esse ano, atentei à cada mínimo detalhe. E o quadro foi...inusitado. Pra começar, nosso natal dura três dias. SIM, três dias. Até que a última migalha de rabanada sobreviva as festas continuam e com elas as peculiaridades dos meus consanguíneos.
A primeira coisa que observei foi a voracidade do momento da ceia. As bordas dos pratos são limites apenas para os fracos, no caso dos Meireles, o céu é o limite (por enquanto). A fome é uma terrível inimiga a ser enfrentada, e eles não fogem à luta. Se necessário, 30 visitas à mesa, até que o ultimo centímetro do estômago esteja saciado.
Após a ceia, chega o momento dos presentes. Devo dizer que nós somos grandes, inegavelmente grandes, pros lados ou pra cima, mas somos. Entretanto, alguns tem amnésia e não raro calcinhas/cuecas tamanho PP surgem no saco do papai noel. As descrições no amigo-oculto são repletas de elogios. Não há mau-humor que resista.
Até que nos vemos no auge da festa: o Samba. Está no sangue. Quem não toca nenhum instrumento, canta. Quem não canta, dança e quem não dança gargalha. Chora de tanto rir. As trapalhadas, as brincadeiras infames. Nos últimos dois anos, acrescentou-se ao show, uma nova tradição que com certeza veio pra ficar: O futebol. Chuteiras que descansam 364 dias por ano, saem dos armários. Tios e primos se enfrentam. É muita sagacidade para um único campo. Em função desse excesso, temos situações dignas de ganhar o prêmio de Bola Murcha do Século
Na maior parte desses encontros eu fotografo, cada frame. Cada momento dessa familia singular. E por mais fora de contexto que eu esteja, eu sempre me sinto uma Meireles. Em cada sorriso, na cor da pele, na cor da alma. Eles são meu orgulho.