Hoje minha mãe comprou geléia de mocotó. E ela ainda é a mesma de aproximadamente 14 anos atrás. Doce, suave e única.
Eu tinha por volta de três anos e eu me lembro - porque uma foto foi tirada nesse momento - do dia que minha mãe chegou do mercado com uma dúzia de geléias de mocotó. Várias caixinhas coloridas, todos os sabores, irresistível. Eu me peguei pensando em como podia lembrar de cada detalhe? Fui pega de surpresa por essa felicidade súbita e outras recordações deliciosamente singelas: do pique-pega, das músicas de chiquititas, do medo de abelhas - vamos fingir que ainda é uma lembrança, ok? - das aulas de música, dos meus tombos memoráveis, de lamber a panela com a massa do bolo, das minhas amizades, da minha inocência. Engraçado, repentinamente ela se tornou tão distante..Quando me dei conta já era essa mesma Stella que eu reconheço atualmente, com todos os calos já conhecidos. O que me fez assim? As primeiras decepções, as respostas daquelas perguntas incômodas, as primeiras lágrimas, as primeiras brigas, enfim, amadurecer, mudar. Mudança, palavra difícil essa. Todo mundo sabe que ela vem, contudo quando ela chega de fato, quanta tristeza. E depois de algum tempo quantas coisas boas ela traz e então, finalmente, felicidade. Então, porque até hoje ela ainda é uma preocupação? É o medo do inesperado, do desconhecido. Quanto mais aniversários, maior o livre arbítrio, porém a chance de errar cresce na mesma proporção de ambos.
Espero que um dia eu me torne um linda borboleta, voando por aí. E já que a saída do casulo é inadiável eu espero que lá no fundo ainda sobre algum resquício daquela menininha que fica enlouquecida com geléia de mocotó.

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